Accessibility Tools

Nos acompanhe nas redes: YouTube Instagram Facebook

Projeto de Alfabetização para EJA: ideias criativas e metodologias

 

27 de maio de 2026

No Brasil, entre as doenças chamadas sociais, o analfabetismo pode ser considerado, num sentido figurado, uma delas. Uma doença que não mata, mas não deixa viver plenamente e com dignidade. Não mata e tem cura. E a cura é dever do Estado, da sociedade, da família e do cidadão(ã) a ser beneficiado(a). Segundo o último censo, ano 2022, há cerca de 11 milhões de brasileiros que não sabem ler e escrever. Este número corresponde à população de países como:

Bélgica: Aproximadamente 11,8 milhões de habitantes.

Benin: População perto de 11,5 milhões.

Bolívia: População de cerca de 11,7 milhões.

Ruanda: Sua população também está próxima de 11,5 milhões.

Sudão do Sul: Em 2020, o país tinha uma população de aproximadamente 11 milhões de pessoas. 

O município de São Paulo, com cerca de 11,9 milhões de habitantes, o mais populoso da Federação, corresponde a um Brasil a ser alfabetizado. É o Brasil que quer ler e escrever. É o Brasil que quer dar sinal certeiro para seu ônibus. É o Brasil que quer ler e responder a carta do filho distante. É o Brasil que quer ler a bula do seu remédio. É o Brasil que quer escrever e ler mensagens de texto. É o Brasil que quer participar do mundo virtual. É o Brasil que quer igualdade... etc. 

Saber ler e escrever, ser alfabetizado, é um sonho de milhares de cidadãos e cidadãs que sequer sabem que a Educação é um dever do Estado e um Direito de todos, portando, seu. O professor Moacir Gadotti, especialista em Educação de Adultos, por muitos anos assessor do educador Paulo Freire, em seu livro: O grito silenciado de quem quer ser escutado (no prelo) argumenta:

Se o caminho de “todos” lhe foi negado, ele tem direito de escolher um novo que atenda sua especificidade e que possa trilhar até onde ele pode ir, contando com o apoio do Estado (não do mercado), garantindo esse direito. Para isso, precisamos de outra abordagem do tema, a partir das condições do educando e de suas peculiaridades, por meio de uma concepção emancipadora da EJA, uma abordagem que não seja subordinada ao mercado. Uma visão não apenas inovadora, mas, “revolucionária”, como a que inspirou a criação do Programa Nacional de Alfabetização de Paulo Freire em 1963 (Gadotti, 2025).

No Brasil, várias foram as tentativas de arrefecer, banir, superar, o analfabetismo, a partir de metade século 20. Mencionamos aqui alguns(as), como: campanhas, planos, projetos, programas e pactos:

  • Programa Nacional de Alfabetização de Paulo Freire, em 1963.

  • Movimento Brasileiro de Alfabetização (Mobral), criado no período autoritário, em (1967).

  • Campanha de Alfabetização de Adultos” de Diadema (1987).

  • Movimento de Alfabetização de Jovens e Adultos da Cidade de São Paulo

MOVA-SP, (1989-1991).

  • Projeto MOVA-Brasil (2003-2013).

  • TOPA, Todos Pela Alfabetização (2015)

  • Pacto pela Superação do Analfabetismo e Qualificação na Educação de Jovens e Adultos (Pacto EJA), de (2024).

  • Projeto ALFA-EJA Brasil (2025). 

Na atualidade, destacamos o Projeto ALFA-EJA Brasil, uma parceria entre o Instituto Paulo Freire e a Petrobrás. O Projeto está sendo desenvolvido com base na Pedagogia/Metodologia Freiriana e atende a municípios das regiões Norte e Nordeste do Brasil. O Projeto ALFA-EJA Brasil tem como meta alavancar a Educação de Jovens, Adultos e Idosos (EJA) e contribuir com a superação do analfabetismo, além de promover a autoestima dos participantes, a conscientização política e social, o espírito crítico e capacidade de percepção ética e justa dos seus deveres, assim como da necessidade de luta pelos seus direitos previstos na Constituição de 1988, tais como: Educação, Saúde, Alimentação, Trabalho, Moradia, Transporte, etc. Acreditamos que com ideias criativas e metodologias adequadas, os momentos de aprendizagem em EJA serão mais atrativos, divertidos e produtivos.

 

Alfabetização de Adultos até meados do século 20

Até o final da década de 50, a Alfabetização de Jovens e Adultos (EJA) se resumia em repassar conhecimentos, tarefa do educador(a), mesmo sem a formação apropriada. Ao educando(a) cabia o esforço de manejar o código básico de leitura e escrita, para assinar, escrever o próprio nome. Estes eram, então, saberes necessários para inserção no mercado de trabalho e o direito de votar e ser votado. 

Na época, muitas vezes, o educador(a) lançava mão de materiais didáticos e metodologias produzidas e pensadas para crianças, desconsiderando o momento de vida do educando, já com conhecimento adquirido. Este procedimento, por certo, tornava a sala de aula pouco atrativa, nada estimulante e distante do mundo real. O educador, como já foi falado, não recebia formação para aquele ofício, improvisava. Daí, a importância de trabalhar na EJA com a pedagogia freiriana.

 

Projeto ALFA-EJA Brasil fortalecendo a EJA

Ao contrário do exposto, a metodologia freiriana, adotada pelo Projeto ALFA-EJA Brasil, leva em conta práticas que visam promover a autoestima, desenvolver ações que despertem a capacidade de dialogar, questionar, criticar, aprender a pensar e buscar a superação de sofrimentos, constrangimentos, injustiças, humilhações, que, por vezes, afetam a vida das pessoas não alfabetizadas.

Assim, o Projeto ALFA-EJA Brasil procura, seguindo ideias e proposições do educador Paulo Freire, tornar suas práticas mais críticas, sábias, revolucionárias, inovadoras, porém, leves. O diferencial desta proposta é que partindo do universo do educando(a), da sua cultura, sua visão de mundo percebida e experimentada, adquirir aprendizagem para vida, ter ciência da importância do seu papel no mundo inacabado e a ser transformado. “O mundo não é, o mundo está sendo”, dizia Paulo Freire.

O educador Paulo Freire nos deixou um legado de ricas ideias e boas práticas, um alicerce para os que querem tornar de fato efetiva a Educação de Jovens, Adultos e Idosos: a EJA. Conheça Paulo Freire!

 

Nós usamos Cookies
Utilizamos cookies no nosso site. Alguns deles são essenciais para o funcionamento do site, enquanto outros nos ajudam a melhorar este site e a experiência do usuário (cookies de rastreamento). Você pode decidir por si mesmo se deseja permitir cookies ou não. Observe que, se você os rejeitar, talvez não consiga usar todas as funcionalidades do site.