No Brasil, entre as doenças chamadas sociais, o analfabetismo pode ser considerado, num sentido figurado, uma delas. Uma doença que não mata, mas não deixa viver plenamente e com dignidade. Não mata e tem cura. E a cura é dever do Estado, da sociedade, da família e do cidadão(ã) a ser beneficiado(a). Segundo o último censo, ano 2022, há cerca de 11 milhões de brasileiros que não sabem ler e escrever. Este número corresponde à população de países como:
Bélgica: Aproximadamente 11,8 milhões de habitantes.
Benin: População perto de 11,5 milhões.
Bolívia: População de cerca de 11,7 milhões.
Ruanda: Sua população também está próxima de 11,5 milhões.
Sudão do Sul: Em 2020, o país tinha uma população de aproximadamente 11 milhões de pessoas.
O município de São Paulo, com cerca de 11,9 milhões de habitantes, o mais populoso da Federação, corresponde a um Brasil a ser alfabetizado. É o Brasil que quer ler e escrever. É o Brasil que quer dar sinal certeiro para seu ônibus. É o Brasil que quer ler e responder a carta do filho distante. É o Brasil que quer ler a bula do seu remédio. É o Brasil que quer escrever e ler mensagens de texto. É o Brasil que quer participar do mundo virtual. É o Brasil que quer igualdade... etc.
Saber ler e escrever, ser alfabetizado, é um sonho de milhares de cidadãos e cidadãs que sequer sabem que a Educação é um dever do Estado e um Direito de todos, portando, seu. O professor Moacir Gadotti, especialista em Educação de Adultos, por muitos anos assessor do educador Paulo Freire, em seu livro: O grito silenciado de quem quer ser escutado (no prelo) argumenta:
Se o caminho de “todos” lhe foi negado, ele tem direito de escolher um novo que atenda sua especificidade e que possa trilhar até onde ele pode ir, contando com o apoio do Estado (não do mercado), garantindo esse direito. Para isso, precisamos de outra abordagem do tema, a partir das condições do educando e de suas peculiaridades, por meio de uma concepção emancipadora da EJA, uma abordagem que não seja subordinada ao mercado. Uma visão não apenas inovadora, mas, “revolucionária”, como a que inspirou a criação do Programa Nacional de Alfabetização de Paulo Freire em 1963 (Gadotti, 2025).
No Brasil, várias foram as tentativas de arrefecer, banir, superar, o analfabetismo, a partir de metade século 20. Mencionamos aqui alguns(as), como: campanhas, planos, projetos, programas e pactos:
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Programa Nacional de Alfabetização de Paulo Freire, em 1963.
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Movimento Brasileiro de Alfabetização (Mobral), criado no período autoritário, em (1967).
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Campanha de Alfabetização de Adultos” de Diadema (1987).
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Movimento de Alfabetização de Jovens e Adultos da Cidade de São Paulo
MOVA-SP, (1989-1991).
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Projeto MOVA-Brasil (2003-2013).
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TOPA, Todos Pela Alfabetização (2015)
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Pacto pela Superação do Analfabetismo e Qualificação na Educação de Jovens e Adultos (Pacto EJA), de (2024).
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Projeto ALFA-EJA Brasil (2025).
Na atualidade, destacamos o Projeto ALFA-EJA Brasil, uma parceria entre o Instituto Paulo Freire e a Petrobrás. O Projeto está sendo desenvolvido com base na Pedagogia/Metodologia Freiriana e atende a municípios das regiões Norte e Nordeste do Brasil. O Projeto ALFA-EJA Brasil tem como meta alavancar a Educação de Jovens, Adultos e Idosos (EJA) e contribuir com a superação do analfabetismo, além de promover a autoestima dos participantes, a conscientização política e social, o espírito crítico e capacidade de percepção ética e justa dos seus deveres, assim como da necessidade de luta pelos seus direitos previstos na Constituição de 1988, tais como: Educação, Saúde, Alimentação, Trabalho, Moradia, Transporte, etc. Acreditamos que com ideias criativas e metodologias adequadas, os momentos de aprendizagem em EJA serão mais atrativos, divertidos e produtivos.
Alfabetização de Adultos até meados do século 20
Até o final da década de 50, a Alfabetização de Jovens e Adultos (EJA) se resumia em repassar conhecimentos, tarefa do educador(a), mesmo sem a formação apropriada. Ao educando(a) cabia o esforço de manejar o código básico de leitura e escrita, para assinar, escrever o próprio nome. Estes eram, então, saberes necessários para inserção no mercado de trabalho e o direito de votar e ser votado.
Na época, muitas vezes, o educador(a) lançava mão de materiais didáticos e metodologias produzidas e pensadas para crianças, desconsiderando o momento de vida do educando, já com conhecimento adquirido. Este procedimento, por certo, tornava a sala de aula pouco atrativa, nada estimulante e distante do mundo real. O educador, como já foi falado, não recebia formação para aquele ofício, improvisava. Daí, a importância de trabalhar na EJA com a pedagogia freiriana.
Projeto ALFA-EJA Brasil fortalecendo a EJA
Ao contrário do exposto, a metodologia freiriana, adotada pelo Projeto ALFA-EJA Brasil, leva em conta práticas que visam promover a autoestima, desenvolver ações que despertem a capacidade de dialogar, questionar, criticar, aprender a pensar e buscar a superação de sofrimentos, constrangimentos, injustiças, humilhações, que, por vezes, afetam a vida das pessoas não alfabetizadas.
Assim, o Projeto ALFA-EJA Brasil procura, seguindo ideias e proposições do educador Paulo Freire, tornar suas práticas mais críticas, sábias, revolucionárias, inovadoras, porém, leves. O diferencial desta proposta é que partindo do universo do educando(a), da sua cultura, sua visão de mundo percebida e experimentada, adquirir aprendizagem para vida, ter ciência da importância do seu papel no mundo inacabado e a ser transformado. “O mundo não é, o mundo está sendo”, dizia Paulo Freire.
O educador Paulo Freire nos deixou um legado de ricas ideias e boas práticas, um alicerce para os que querem tornar de fato efetiva a Educação de Jovens, Adultos e Idosos: a EJA. Conheça Paulo Freire!










