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Método Paulo Freire e o Projeto ALFA-EJA Brasil, unidos para fortalecer a EJA e a Educação Popular

19 de março de 2026

O Método Paulo Freire, ou Pedagogia Freiriana, é uma filosofia, uma Teoria do Conhecimento que apresenta uma abordagem transformadora de ensinar e aprender, ou aprender ensinando. Em seu livro Pedagogia do Oprimido, e em diferentes momentos de sua trajetória, Freire dizia que “Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo.” (Freire, 1968).

Há muitos escritos, livros, artigos, monografias e teses sobre o trabalho desse educador, aqui no Brasil e no exterior. Há também inúmeros pensadores da educação, dentre eles, o professor, antropólogo e poeta brasileiro, Carlos Rodrigues Brandão (in memoriam), autor do livro “O que é o Método Paulo Freire” (Brasiliense, 1981). Brandão defendia a Educação Popular e sempre foi uma referência nessa área. Pautou seu rico trabalho com base na ótica freiriana. 

A Pedagogia Freiriana reconhece e valoriza a visão de mundo, os   saberes e as histórias de vida das pessoas que formam o grupo de aprendentes, em busca do sonho de escrever e ler, e neste processo de aprendizagem coletiva, entender os porquês de sua posição no mundo.

A proposta de Freire parte do Estudo da Realidade (fala do educando) e a organização dos dados (fala do educador). Nesse processo surgem os Temas Geradores, extraídos da problematização da prática de vida dos educandos. Os conteúdos de ensino são resultados de uma metodologia dialógica. Cada pessoa, cada grupo envolvido na ação pedagógica dispõe em si próprio, ainda que de forma rudimentar, dos conteúdos necessários dos quais se parte. O importante não é transmitir conteúdos específicos, mas despertar uma nova forma de relação com a experiência vivida. A transmissão de conteúdos estruturados fora do contexto social do educando é considerada “invasão cultural” ou “depósito de informações” porque não emerge do saber popular. Portanto, antes de qualquer coisa, é preciso conhecer o estudante. Conhecê-lo enquanto indivíduo inserido num contexto social de onde deverá sair o “conteúdo” a ser trabalhado. 

Assim sendo, “não se admite uma prática metodológica com um programa previamente estruturado, assim como qualquer tipo de exercícios mecânicos para verificação da aprendizagem, formas essas próprias da “educação bancária”, onde o saber do professor é depositado no educando, práticas essas domesticadoras. (Barreto, s.d. p. 4). O relacionamento educador-educando nessa perspectiva se estabelece na horizontalidade onde juntos se posicionam como sujeitos do ato do conhecimento. Elimina-se portanto toda relação de autoridade uma vez que essa prática inviabiliza o trabalho de criticidade e conscientização.

Segundo Freire, o ato educativo deve ser sempre um ato de recriação, de ressignificação de significados. O Método Paulo Freire tem como fio condutor a alfabetização visando à libertação. Essa libertação não se dá somente no campo cognitivo mas acontece essencialmente nos campos social e político.

A palavra “método” não retrata com fidelidade a ideia e o trabalho desenvolvido por Freire. É no “sentido contextual”, carregado dos princípios de seu idealizador, que a palavra método é utilizada em larga escala.

Em entrevista concedida a Nilcéia Lemos Pelandré, em 14/04/1993, Freire diz o seguinte: 

Eu preferia dizer que não tenho método. O que eu tinha, quando muito jovem, há 30 anos ou 40 anos, não importa o tempo, era a curiosidade de um lado e o compromisso político do outro, em face dos renegados, dos negados, dos proibidos de ler a palavra, relendo o mundo. O que eu tentei fazer e continuo hoje, foi ter uma compreensão que eu chamaria de crítica ou de dialética da prática educativa, dentro da qual, necessariamente, há uma certa metodologia, um certo método, que eu prefiro dizer que é método de conhecer e não um método de ensinar (Pelandré, 1998, p. 298).

Embora concordemos com Freire, a expressão “Método Paulo Freire” é hoje uma expressão universalizada e cristalizada como referência de uma “concepção democrática, radical e progressista de prática educativa”, razão pela qual usamos essa expressão ao longo deste texto.

Desde a sua origem e aplicação na década de 60 até os dias atuais, o Método Paulo Freire vem suscitando controvérsias, se constituindo em assunto polêmico para a realização de teses, simpósios, mesas-redondas, publicação de livros e artigos, além de se constituir em fonte de estudo, pesquisa e também aplicação em diferentes partes do Brasil e do mundo.

O Método Paulo Freire continua vivo e em evolução entre aqueles que trabalham com as suas ideias. 

 

Método Paulo Freire e o Projeto ALFA-EJA Brasil

O Método Paulo Freire é um modo de pensar a Educação, de educar e educar-se, simultaneamente. Esta metodologia é parte dos objetivos e das diretrizes do Projeto ALFA-EJA Brasil, que é fruto de uma parceria entre o Instituto Paulo Freire e a Petrobras, que têm, assim como Paulo Freire, o sonho de ver a Educação para Jovens e Adultos (EJA) se tornar uma política de Estado, uma política pública de educação, que vise a eliminação do analfabetismo. Lembrando que Educação não dádiva é um Direito.

O Projeto ALFA-EJA Brasil, realizado presencialmente em 15 municípios das regiões Norte e Nordeste e de forma não presencial em mais outros 70 municípios destas mesmas regiões, deu início às suas ações com o processo de Leitura do Mundo (LM), que consistiu em visitas aos municípios onde o Projeto será realizado, com objetivo de conhecer a realidade de cada um deles. A Leitura do Mundo é uma ação criada por Paulo Freire.

Concluímos que a parceria entre o Instituto Paulo Freire e a Petrobrás, com o Projeto ALFA-EJA Brasil, no ano de 2025, segue amalgamada em defesa da Educação de Qualidade para Todos, sobretudo, para àqueles/as que interromperam os estudos, ou sequer tiveram oportunidade de começar a estudar. Àqueles/as que estão em diferentes territórios das regiões Norte e Nordeste e que possuem o desejo de ler e escrever, e poder dizer a sua palavra!